Filme: O Conclave

Recentemente fomos surpreendidos com a renúncia do Papa Bento XVI, e com a eleição do novo Papa Francisco. Segundo o jornal italiano “La Repubblica”, um relatório com cerca de 300 páginas aponta sobre mau uso do dinheiro arrecadado, homossexualidade e disputas de poder envolvendo os “religiosos”. Outras vertentes, defendem pura e simplesmente uma renúncia motivada por problemas de saúde.

Quem nunca teve dúvida, de como se escolhe um papa ou quem tem mais chance de ganhar essa disputa?

Por todos esses fatos, o filme “O Conclave”, está mais atual do que nunca. Ele explica um pouco melhor o conceito e a metodologia para sucessão de um papa, o nome vem do latim “com clave”, que significa com chave.

Conclave, compreendendo um pouco melhor:

É a reunião dos cardeais para eleição do novo Papa, esse processo é feito de forma lenta e totalmente reclusa. Eles ficam incomunicáveis com o muito exterior até a escolha do sucessor.

Esse ritual acontece desde oito séculos atrás, quando o papa Gregório X, usou pela primeira vez a palavra em 1274.  Essa tradição da igreja católica, deve ter inicio entre 15 e 20 dias, após a morte ou como no caso do papa Papa Bento XVI, após a renúncia formal do pontífice.

Início do Conclave

o-conclave-filme-de-2006-retrata-o-conclave-deO Camerlengo, lê de forma clara o juramento solene que tem por finalidade obrigar os ditos Cardeais que foram eleitos a aceitar totalmente as condições, rejeitando de forma acertiva todas as influência do mundo exterior e acima de tudo manter secretas as deliberações ali contidas.

Na votação um boletim de papel branco com os dizeres na parte superior “Eligo in summum (Elejo como Sumo Pontífice)”, onde deve conter a escolha com caligrafia clara e letras sempre maiúsculas.

Após concluir esse longo caminho e falecer, o papa recebe algumas homenagens importantes. Fazendo uma rápida pesquisa, descobri que durante nove dias, os Cardeais celebram o “exéquias de sufrágio” pela sua alma (regulamento incluído nas normas do Vaticano, após a morte do papa em questão). O que ao confrontar tamanho respeito e reclusão, frente ao filme apresentado, ficamos em dúvida sobre a verdadeira motivação dos ditos religiosos, quando o poder está em jogo, tornando simples colegas em inimigos frios, dispostos a fazer de tudo para conseguir o cargo máximo dentro dessa instituição, que deveria ser o alicerce principal para o mundo cristão que perdura até hoje.

Falando um pouco mais sobre o filme, segue a sinopse básica:

“No ano de 1458, cinco anos depois da queda de Constantinopla, dezoito homens se encontram em “cum clave” para determinar o futuro do mundo cristão. Um destes homens era um rapaz de 27 anos chamado Rodrigo Borgia um nome que ressonou durante toda a história. “ o Conclave” é um drama historicamente exato, centrado entorno do primeiro conclave de Rodrigo Borgia, o conclave que lançou sua famosa carreira e o único da historia em que um dos cardeais manteve um diário secreto, permitindo um vislumbre na alma escura e perigosa do renascimento do Vaticano.”


O Longa metragem tem início em 1458, nessa época houve a morte do primeiro papa Borgia, Calixto III (1455-58), como vice-chanceler, Rodrigo deveria liderar o conclave, mas outros poderes dentro da igreja, dificultaram o que deveria ser uma simples transição.

Rodrigo Borgia, com 27 anos naquele momento, chegava a ser chamado com desprezo pelos outros cardeais como “cardeal-sobrinho”. Já que o falecido papa era seu tio!

vaticanoContudo, ele tem um papel crucial na eleição de Pio II e ajuda a garantir além de sua própria sobrevivência política, um grande percurso até que ele mesmo consiga contra todas as adversidades se tornar papa. Não se engane, embora seja um filme com fundo religioso. Há ação e cenas de violência, a maioria as imagens, são feitas em planos fechados ” dentro do claustrofóbico Conclave”, aumentando ainda mais a fidelidade histórica, com diálogos importantes e bem construídos, formam uma trama primorosamente.

O relacionamento entre o protagonista, com sua amante Vannozza dei Cattanei e seu pouco interesse na política eclesiástica, deixa o cenário difícil entre ele os cardeais, em dado momento sua vida chega a correr um risco iminente. O ator espanhol Manu Fullola, atua muito bem no papel do futuro papa, demonstrando grande força cênica.

Infelizmente o filme não estreou nos cinemas brasileiros, muitas pessoas assim como eu, não tiveram acesso ao conteúdo excelente e com fundamentos históricos, em seu lançamento. Mesmo assim, hoje é possível encontrar para aluguel em diversas locadoras físicas e até mesmo virtuais.

A todo momento Rodrigo recebe ameaças de morte, chantagens, etc..

Eles praticam a compra de votos e fazem promessas absurdas de serem concebidas, principalmente em um lugar que deveria ser a base moral da sociedade, dando exemplo e demonstrando compaixão com os iguais. Lembro bem do francês Guillaume D’Estouteville, que por muito pouco não foi consagrado papa, dizendo uma frase parecida com vote em mim, ou. Deixando claro sua intenção!

Piccolomini no decorrer na sequência, parece o melhor candidato, mesmo sendo ofendido por D’Estouteville que lhe dirige a palavra com desdém, afirmando que ele não é nobre e acima de tudo pouco refinado. O ator inglês Brian Blessed (que deu voz ao personagem Boss Nass de Star Wars), interpretou o cardeal Piccolomini, de forma magistral.

Nem de longe, estamos falando sobre uma super produção de hollywood com efeitos especiais, milhares de locações, atores famosos ou diretores caros com orçamentos gigantescos. Não nesse caso, afirmo que o roteiro foi bem escrito e muito bem conduzido, com cenários que convencem o telespectador, remontando ao início renascentista.

Para finalizar, posso concluir dizendo que somos confrontado por verdadeiros duelos de grandes atuações e somos apresentados ao medo no mundo cristão “da época”, onde Papas além de seus espíritos religiosos, possuíam um lado forte na política!

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 10.0/10 (5 votes cast)
VN:F [1.9.22_1171]
Rating: +3 (from 3 votes)

Filme: O Conclave, 10.0 out of 10 based on 5 ratings

Comente também por aqui:

comentário(s), com aplicativo do Facebook.

SHARE THIS POST

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Buzz
  • Digg
Eduardo Roque
Author: Eduardo Roque View all posts by