Filme: O Prisioneiro da Grade de Ferro

O documentário conta a vida de presidiários do Carandiru durante quase um ano, após o massacre ocorrido lá e antes da demolição do complexo. Temos uma visão muito peculiar do dia-a-dia dos detentos, onde os próprios são os responsáveis por registrarem todas as relações interpessoais no local, dessa forma o longa apresentado, possui um caráter intimista mostrando os fatos como realmente são.

prisioneiro-da-grade-de-ferro-poster01Uma vez um professor comentou que a prisão, serve como exemplo para quem está fora e não para quem está dentro, embora isso não seja o correto, acabo concordando parcialmente com essa colocação, pois nosso sistema, não dá o suporte adequado para essas pessoas, deixando o ser humano em uma situação degradante, sem atendimento médico, psicológico e inclusive negligenciando a própria segurança interna deles. Em determinado momento, um pastor comenta que após uma facção criminosa assumir o controle entre os detentos, os casos de assassinatos por gangues rivais e até estupros, foram minimizados ou erradicados, embora seja um absurdo, tem um lado positivo segundo ele, já que o próprio estado não resolve esse tipo de problema, alguém precisa resolver.

As pessoas ali ficam esquecidas pela sociedade, inclusive alguns já deveriam estar livres, porque cumpriram sua pena há tempos, mas não conseguem chegar ao juiz por burocracia e falta de interesse, uma realidade triste, porém verdadeira.

Mas nem só de tristeza é feito o documentário, há momentos de lazer, onde eles podem jogar futebol, tocar algum instrumento musical, fazer desenhos nas paredes, pintar quadros, etc..

Por outro lado, eles fazem isso com instrumentos que em quase todos os casos deveriam ser proibidos, porque nas mãos erradas, seriam armas letais, mas como já mencionei anteriormente, não há ninguém para fiscalizar esse tipo de coisa!

Como podemos esperar a ressocialização do preso, dentro desse sistema falido, onde eles convivem com o medo, a solidão e abandono?

Existe também a esperança em sair antes do tempo com a “Remição da pena”, contudo, como foi informado no início do filme, nem todos atingem esse objetivo, não há vagas nos trabalhos internos para todos e mesmo com bom comportamento, uma quantidade esmagadora não consegue o benefício por bom comportamento.

tres-pavilhoes-do-complexo-do-carandiru-em-sao-paulo-sao-implodidos-a-implosao-durou-sete-segundos-e-ocorreu-dez-anos-apos-o-massacre-no-qual-morreram-111-presos-o-maior-presidio-da-america-latina-1348870033343_956x500Após conseguir a liberdade, a maioria dos presos, acaba voltando para lá. E infelizmente hoje isso é um “círculo vicioso”, e parte de algo muito maior. Vamos imaginar uma criança em uma família desestruturada, com carência em atendimento médico, sem nenhum grau de escolaridade, vivendo em uma moradia precária e que em muitas vezes, nem mesmo um salário mínimo recebem por seu trabalho. Nesse panorama, é fácil imaginar, que fatalmente a criança possa se enveredar para o crime, tentando melhorar financeiramente ou continuar na miséria vulnerável nas ruas como mais um entre tantos na multidão. O que o estado faz quando coloca esse indivíduo dentro da cadeia, sob essas condições desumanas?

Simples, acaba piorando a situação, infelizmente. Precisamos mudar essa premissa da base, corrigindo problemas básicos, trazendo uma melhor condição para nosso povo tão sofrido, que cansou de vez tamanho descaso dos governantes que insistem em roubar da nação, rindo as nossas custas, inocentando bandidos transvestidos de políticos e se perpetuando no poder com falsas promessas.

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Escute nosso podcast (em .MP3), sobre “PENA DE MORTE“:

http://vidabeta.com.br/podcast/ep-70-vida-beta-cast-pena-de-morte

 

 

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Eduardo Roque
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