Documentário, Sem Pena.

O documentário “Sem Pena”, levanta diversas questões importantes ao demonstrar principalmente o preconceito que está arraigado em nossa sociedade. Para isso, utiliza uma metodologia muito interessante, criando uma atmosfera diferenciada, onde o telespectador é surpreendido por escutar o depoimento dos entrevistados sem o contato visual costumeiro. Imagens são projetadas não revelando o interlocutor, dessa forma, nossos preconceitos não se manifestam e o julgamento imparcial é inevitável.

Nossa Constituição Federal, é deixada de lado em muitos momentos, seja na forma desumana de tratar as pessoas mais pobres ou no descaso do sistema como um todo. Os juízes e promotores por exemplo, muitas vezes se comportam como verdadeiros senhores feudais, ignorando as normas que deveriam reger suas decisões e agindo de forma completamente arbitrária, nem mesmo os princípios fundamentais são respeitados.

Uma triste constatação, o sistema não possibilita nem mesmo a reintegração social do preso, não há nenhum planejamento para formação profissional ou até prática de esportes. As horas dentro da prisão se tornam um castigo físico e pscicológico, como uma espécie de vingança, uma doentia demonstração do que acontece quando alguém comete um crime. Deixamos de lado anos de aprendizado sobre os direitos humanos, nos focamos em um terrorismo velado, maximizado pela mídia que usa da população como massa de manobra de um bizarro show de horrores.

O sistema prisional brasileiro está sucateado, sua ineficiência salta aos olhos, a superpopulação carcerária sofre uma “sobrepena”, onde a pena privativa de liberdade já não é o único ato punitivo, muitas vezes dobrando ou triplicando sua “penitência”, como o próprio nome já diz, o preso passa privações extras e muitas vezes fica mais tempo do que deveria.

Então, qual é a solução? Claro que essa não é uma resposta simples, mas nosso atual modelo não funciona, hoje existem algumas prisões modelo no Brasil:

“Unidades prisionais pequenas, estímulo do contato dos detentos com suas famílias e com a comunidade, trabalho, capacitação profissional e assistência jurídica eficiente. Essas são algumas das características de prisões consideradas modelo que já funcionam pelo país. Elas estão sendo tratadas pelas autoridades como possíveis soluções para os problemas do sistema prisional brasileiro – Fonte: Luis Kawaguti Da BBC Brasil em São Paulo”

Como os próprios produtores afirmam “a morosidade, preconceito e a cultura do medo só fazem ampliar a violência e o abismo social”.

Mas o problema é muito mais profundo, e além de corretivo, deve ser preventivo, não basta melhorar o sistema prisional e se esquecer da educação e da formação dos jovens, excluídos e marginalizados. Vale lembrar que a violência dentro dos presídios, de fato está diretamente relacionada com a insegurança nas ruas!

Os menos afortunados devem ser tratados com mesmo respeito que os mais abastados, não podemos deixar de lado os direitos humanos, devemos respeitar o próximo, porque embora seja um clichê, violência gera violência. Mas há um problema nesse pensamento, para quem está no poder, um povo bem educado se torna um perigo indesejável e esse paradoxo, vai de encontro aos interesses particulares dos poderosos, formando assim um circulo vicioso.

O combate à corrupção é a base para a transformação que tanto precisamos, hoje vivemos em uma triste realidade, onde o Brasil é ridicularizado pela desonestidade dos nosso políticos, a burocracia se tornou um tipo de câncer utilizada como ferramenta para os desmandos desses que deveriam ser nossos representantes.

Combater a corrupção e lutar pela transparência das ações dos poderosos, pode levar o Brasil rumo a solução desse conflito social que aflige nossa nação!

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Eduardo Roque
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